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O que sabemos às 19h na noite da eleição?


O título é emprestado de um artigo de Andrew Gelman, da Columbia University, e Nate Silver, do FiveThirtyEight e autor de O Sinal e o Ruído. Parece que precisamos mudar não só o formato das nossas pesquisas, mas também o modo de acompanhar a apuração.

Com esse objetivo, desenvolvi um modelo próprio de projeção eleitoral. A ideia é simples: comparar cada urna apurada com o que se esperava dela e aplicar esse desvio ao que ainda falta contar.

O que a noite mostrou

  1. As pesquisas subestimaram Lula em 2,7 pontos. Dos 19 institutos analisados, quatro acertaram dentro da margem de erro. Desses, apenas dois também indicavam a vitória de Lula.
  2. Com 1,6% das urnas apuradas, o modelo já projetava 52,2%, perto do resultado final de 51,79%.
  3. Às 19h47, Flávio Bolsonaro liderava a contagem, mas o modelo mantinha Lula com 93% de chance, porque as urnas restantes vinham de regiões favoráveis a ele.
  4. Depois das 19h08, a projeção nunca se afastou mais de 0,7 ponto do resultado final. O que mudou ao longo da noite foi a incerteza, que encolheu.

A ordem da apuração engana; a comparação com o esperado, não.